Liquidação de sentença: arbitramento, procedimento comum e limites
Veja quando cabe a liquidação, como escolher entre arbitramento e procedimento comum e por que ela nunca reabre o mérito da sentença.
Direito Processual Civil · 16. Cumprimento de sentença · Atualizado em
A liquidação entra em cena quando a condenação não tem valor fixado. Ela transforma essa obrigação em quantia certa, para que a execução possa começar. Quem pode pedi-la é tanto o credor quanto o devedor.
Quando a liquidação é necessária e quando não é
Se a apuração depende apenas de cálculo aritmético, não há liquidação. O credor pode pedir diretamente o cumprimento de sentença.
Cai muito: cálculo aritmético dispensa liquidação. O pedido vai direto para o cumprimento.
Quando a sentença tem uma parte líquida e outra ilíquida, a lógica muda. O credor não precisa esperar tudo ser apurado: executa a parte certa e, em autos apartados, liquida a parte incerta. Essa é a pegadinha clássica, a ideia de que a cobrança só começa depois de tudo estar calculado.
Comparação rápida
- Apenas cálculo aritmético: cumprimento direto, sem liquidação
- Parte líquida e parte ilíquida: execução imediata da parte líquida e liquidação da outra em autos apartados
- Condenação totalmente ilíquida: liquidação antes do cumprimento
Arbitramento x procedimento comum
Essa é a comparação que mais aparece em prova. A modalidade se escolhe pelo motivo que deixa o valor incerto.
- Arbitramento: cabe quando a sentença determina, quando as partes convencionam ou quando a natureza do objeto exige.
- Procedimento comum: cabe quando é preciso alegar e provar fato novo.
Memorize: três caminhos levam ao arbitramento (sentença, acordo ou natureza do objeto) e apenas um leva ao procedimento comum (fato novo). Se o problema é um acontecimento posterior à sentença, pense em procedimento comum. Se é uma questão de avaliação, pense em arbitramento.
No arbitramento, o juiz intima as partes para apresentarem pareceres ou documentos no prazo que ele mesmo fixar. Se não puder decidir de plano, nomeia perito. No procedimento comum, o requerido é intimado para contestar em 15 dias.
Pegadinha: os 15 dias para contestar são do procedimento comum. Não confunda com o prazo do arbitramento, que fica a critério do juiz e não tem o mesmo número.
O que a liquidação não pode fazer
A regra de ouro do tema é esta: a liquidação responde quanto é devido, nunca se é devido.
| Instituto | Efeito na liquidação | | --- | --- | | Coisa julgada | Vincula as partes entre as quais a sentença foi dada | | Preclusão | Impede rediscutir questões já decididas | | Coisa julgada de mérito | Repele as defesas que a parte poderia ter oposto |
Cai muito: na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença. Ela apenas apura o valor.
Dica: na coisa julgada de mérito, as defesas que a parte poderia ter apresentado, mesmo as não alegadas, consideram-se repelidas. Em prova, isso costuma aparecer com a expressão "consideram-se deduzidas e repelidas".
Liquidação enquanto há recurso sem julgamento
A liquidação pode acontecer mesmo que um recurso ainda aguarde julgamento. Ela corre em autos apartados, no juízo de origem, e quem a requer deve instruir o pedido com cópias das peças processuais relevantes.
Cai muito: o recurso ainda não julgado não impede a liquidação, que segue em autos apartados no juízo de origem.
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Perguntas frequentes
Quando a liquidação de sentença não é necessária?
Ela é dispensada quando o valor da condenação puder ser apurado por simples cálculo aritmético. Nesse caso, o credor pode pedir diretamente o cumprimento de sentença. Essa distinção costuma aparecer em questões de múltipla escolha.
Qual a diferença entre arbitramento e procedimento comum na liquidação?
O arbitramento é usado quando a sentença determina, quando as partes convencionam ou quando a natureza do objeto exige. O procedimento comum é usado quando é preciso alegar e provar fato novo. A modalidade se escolhe pelo motivo que torna o valor incerto.
A liquidação pode rediscutir se a dívida é devida?
Não. A liquidação serve apenas para apurar quanto é devido, e não para decidir se é devido. Discutir de novo a lide ou modificar a sentença é vedado nessa fase, por força da coisa julgada e da preclusão.