Sujeitos do processo penal: juiz, MP, defensor e peritos
Um recorte dos pontos mais cobrados sobre quem atua no processo penal, com foco em imparcialidade, defesa e auxiliares da justiça.
Direito Processual Penal · Ação penal (item 4.2) · Atualizado em
Os sujeitos do processo penal são quem conduz, quem acusa, quem se defende e quem auxilia a justiça. Nas provas, a banca costuma explorar a diferença entre figuras parecidas e os detalhes de cada regra. Veja abaixo quatro pontos que mais caem.
Juiz: impedimento x suspeição
A distinção entre impedimento e suspeição é o assunto que mais aparece. A chave é a natureza de cada hipótese.
- Impedimento é objetivo: ligado à função exercida no processo (advogado, promotor, delegado, perito ou testemunha) ou ao parentesco com quem atuou ali, até o 3º grau. O juiz simplesmente não exerce jurisdição.
- Suspeição é subjetiva: ligada a laços pessoais ou interesses, como amizade íntima, inimizade capital, ter aconselhado uma das partes, ser credor ou devedor, ou ser sócio de sociedade interessada.
Na suspeição, o juiz deve se declarar suspeito. Se não o fizer, qualquer parte pode recusá-lo.
🧠 Memorize: IMPEDIMENTO é "exerceu a função ou é parte"; SUSPEIÇÃO é "tem laço pessoal ou interesse". Se o juiz não se declara, a parte recusa.
⚠️ Pegadinha: a suspeição não pode ser reconhecida quando a parte injuria o juiz ou, de propósito, cria o motivo para alegá-la.
Ministério Público e a defesa do acusado
O Ministério Público promove, de forma privativa, a ação penal pública, e também fiscaliza a execução da lei. As regras de suspeição e impedimento dos juízes se estendem aos membros do MP, no que forem aplicáveis.
Já a defesa tem uma regra central: nenhum acusado, mesmo ausente ou foragido, pode ser processado ou julgado sem defensor. Se ele não tiver um, o juiz nomeia. O acusado pode, a qualquer tempo, constituir outro advogado de sua confiança ou se defender sozinho, desde que tenha habilitação. Quem não for pobre deve pagar os honorários do defensor dativo.
📌 Cai muito: a ausência de defensor impede o processo e o julgamento. Não há exceção para o réu foragido.
Se o defensor abandonar o processo sem justo motivo comunicado ao juiz, responde por infração disciplinar. O acusado é intimado a constituir outro defensor; se não for localizado, a defesa passa a ser de defensor público ou dativo.
No caso de menor de idade, a lei prevê um curador, figura diferente do defensor técnico. Não confunda os dois.
Assistente do Ministério Público
Em todos os termos da ação pública, pode intervir como assistente do MP o ofendido ou seu representante legal. Na falta deles, valem as pessoas indicadas em rol próprio do Código.
- Pode ser admitido enquanto a sentença não transitar em julgado, recebendo a causa no estado em que estiver.
- O corréu no mesmo processo não pode ser assistente.
- O MP deve ser ouvido antes da decisão de admissão.
⚠️ Pegadinha: do despacho que admite ou recusa o assistente não cabe recurso. Mesmo assim, o pedido e a decisão precisam constar dos autos.
Peritos e intérpretes
As partes não participam da nomeação do perito, que é feita pela autoridade. O perito nomeado é obrigado a aceitar o encargo, salvo escusa atendível. Se não comparecer sem justa causa, pode ser conduzido, e a recusa injustificada sujeita-se a multa.
Não podem ser peritos:
- quem estiver sob interdição de direito, nos termos previstos no Código;
- quem já depôs no processo ou opinou antes sobre o objeto da perícia;
- analfabetos;
- menores de 21 anos.
Os intérpretes são equiparados aos peritos para todos os efeitos.
💡 Dica: se a questão perguntar se a parte escolhe o perito, a resposta é não. Se perguntar sobre o perito que já opinou antes, a resposta é que ele está vedado.
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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre impedimento e suspeição do juiz?
O impedimento é objetivo e está ligado à função exercida no processo ou ao parentesco com quem atuou nele, levando o juiz a não exercer jurisdição. A suspeição é subjetiva, envolvendo amizade íntima, inimizade capital, interesse ou aconselhamento, e exige que o juiz se declare suspeito, podendo ser recusado pelas partes caso não o faça.
Um acusado foragido pode ser julgado sem defensor?
Não. A regra é que nenhum acusado, mesmo ausente ou foragido, seja processado ou julgado sem defensor. Se ele não tiver um, o juiz nomeia defensor dativo ou público.
As partes podem escolher o perito do processo penal?
Não. A nomeação do perito é feita pela autoridade, e as partes não intervêm nessa escolha. Estão vedados como peritos os analfabetos, os menores de 21 anos e quem já depôs ou opinou sobre o objeto da perícia.