Execução de serviço de alto grau de periculosidade: o crime do CDC
Veja os elementos, a pena e as principais pegadinhas do crime de executar serviço de alto grau de periculosidade contrariando determinação de autoridade competente.
Direito do Consumidor · 2.6 Tipos penais · Atualizado em
Por que esse crime pede atenção na prova
Os crimes contra as relações de consumo, previstos no Código de Defesa do Consumidor, tratam da periculosidade e da nocividade de produtos e serviços, da informação ao consumidor e da publicidade. Dentro desse bloco, o crime de executar serviço de alto grau de periculosidade contrariando determinação de autoridade competente é muito cobrado, porque se parece com outros tipos que têm a mesma pena. Nesta amostra, veja três pontos que mais caem.
1. Os elementos do tipo
Para identificar o crime, procure quatro elementos:
- a execução de um serviço;
- um serviço de alto grau de periculosidade;
- a existência de uma determinação de autoridade competente;
- a execução feita contrariando essa determinação.
O verbo central é «executar». Quem apenas deixa de alertar o consumidor sobre o risco não pratica esse crime, e sim um tipo vizinho. A pena é de detenção de seis meses a dois anos e multa.
💡 Dica: Guarde a fórmula «executar + alto grau + contra determinação». Se faltar qualquer um desses três pedaços, a conduta provavelmente é outra.
Exemplo prático
Uma empresa de manutenção em altura recebe ordem formal da autoridade para suspender um serviço de alto risco e mesmo assim continua trabalhando. Há o crime, com a pena indicada acima.
2. Lesão corporal e morte: penas somadas
Quando a execução do serviço perigoso provoca lesão corporal ou morte, as penas desse crime são aplicadas sem prejuízo das correspondentes a esses resultados. Ou seja, o agente responde pelo crime do caput e também pelas penas relativas à lesão ou à morte.
⚠️ Pegadinha: A banca pode afirmar que a pena do crime de execução perigosa absorve a de lesão corporal ou de morte. Isso está errado, porque a regra é a aplicação cumulativa.
🧠 Memorize: «Sem prejuízo» significa soma, e não absorção. Pense em duas punições que caminham juntas.
3. A equiparação às práticas abusivas
Uma regra acrescentada por lei posterior determina que a prática de uma das condutas listadas no rol de práticas abusivas do próprio Código também caracteriza o crime do caput. Ou seja, a lei equipara essa prática à figura principal do crime de execução de serviço perigoso.
📌 Cai muito: Quando o enunciado mencionar práticas abusivas, verifique se ele trata do rol do próprio Código. Se tratar, a equiparação é o ponto cobrado.
4. Como não confundir os tipos vizinhos
Como as penas se repetem, a confusão é frequente. Compare os três casos:
- Alerta sobre o serviço: o agente deixa de alertar, por recomendação escrita ostensiva, sobre a periculosidade do serviço. O verbo é «deixar de alertar».
- Retirada de produtos: o agente deixa de retirar do mercado produtos nocivos ou perigosos, após determinação da autoridade. O objeto é o produto, e não o serviço.
- Execução de serviço perigoso: o agente executa o serviço apesar da determinação. O verbo é «executar».
⚠️ Pegadinha: Nos três casos pode aparecer a ideia de determinação ou de alerta. A diferença está no verbo (executar, alertar ou retirar) e no objeto (produto ou serviço).
💡 Dica: Pergunte-se se o agente fez algo que não deveria ou deixou de fazer algo que deveria. Se fez, pense em «executar». Se deixou de fazer, confira se o objeto é produto ou serviço.
Modalidade culposa
O crime de execução de serviço perigoso não prevê forma culposa. A modalidade culposa, com detenção de um a seis meses ou multa, aparece nos crimes de omissão de dizeres e de afirmação falsa ou enganosa. Afirmações que atribuam culpa a esse crime estão erradas.
🧠 Memorize: Nos crimes deste bloco, a regra é o dolo. A culpa só existe nos casos expressamente previstos.
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Perguntas frequentes
A pena do crime de execução de serviço perigoso absorve a de lesão corporal ou morte?
Não. A lei prevê que as penas desse crime são aplicadas sem prejuízo das correspondentes à lesão corporal e à morte. Havendo esses resultados, o agente responde pelos dois conjuntos de penas.
O crime de execução de serviço perigoso admite forma culposa?
Não, esse crime não prevê modalidade culposa. A forma culposa, com detenção de um a seis meses ou multa, aparece no crime de omissão de dizeres e no crime de afirmação falsa ou enganosa. Por isso, questões que atribuam culpa a esse crime costumam estar erradas.
Qual a diferença entre executar serviço perigoso e deixar de alertar sobre a periculosidade do serviço?
No crime de execução, o agente pratica uma ação: executa o serviço apesar da determinação da autoridade. No caso do alerta, a conduta é omissiva, pois o agente deixa de advertir o consumidor por recomendação escrita e ostensiva. O verbo central, portanto, muda de executar para alertar.