Como a FGV cobra nas provas de concurso e como se preparar
Em vez de confiar em boatos sobre a banca, aprenda a descobrir sozinho como a FGV cobra: provas anteriores, gabaritos, edital e um método simples de análise.
Por Equipe MemorizeCards · Publicado em · 6 min de leitura
A Fundação Getulio Vargas (FGV) organiza concursos para órgãos de diferentes áreas e esferas. Por isso, muitos candidatos querem saber "como a FGV cobra" antes de começar a estudar. É uma pergunta legítima: conhecer o estilo da banca ajuda a direcionar o treino.
O problema é que muitas respostas que circulam são generalizações sem fonte. Neste artigo, em vez de repetir rótulos, mostramos como você mesmo pode analisar o estilo da FGV a partir de fontes primárias: os editais, as provas e os gabaritos publicados pela própria banca.
Por que não confiar só em fama de banca
Comentários como "a banca X é difícil" ou "a banca Y adora tal assunto" podem até ter algum fundo de verdade, mas raramente vêm acompanhados de dados. Além disso, o estilo de uma banca pode variar conforme o órgão, o cargo, a área de conhecimento e a equipe que elabora as questões.
Por isso, o caminho mais seguro é olhar diretamente para as provas do tipo de concurso que você vai fazer. Elas são a melhor evidência disponível.
Onde encontrar as fontes oficiais
O site da banca
A FGV mantém uma área de concursos em seu site, com a página de cada certame. Normalmente é ali que ficam o edital, os comunicados, os cadernos de prova e os gabaritos preliminares e definitivos. A disponibilidade de cada documento pode variar; confira na página do concurso.
O edital
O edital define o formato da prova: tipo de questões, número de alternativas, pontuação, critérios de eliminação, disciplinas e pesos. Nunca presuma o formato com base em outro concurso; leia o edital do certame específico. Veja como fazer isso em como ler edital de concurso.
Os gabaritos e recursos
Os gabaritos definitivos, comparados aos preliminares, mostram questões anuladas ou com resposta alterada. Isso ajuda a entender pontos em que a própria banca reconheceu problemas.
Um método para analisar o estilo da FGV
Escolha algumas provas recentes da FGV para cargos parecidos com o seu, de preferência do mesmo nível de escolaridade e área. Depois, analise com um roteiro fixo.
1. Formato
Anote: quantas alternativas por questão, se há questões discursivas, como é a pontuação e se existem critérios de eliminação por disciplina. Tudo isso está no edital.
2. Tamanho e tipo de enunciado
Observe se os enunciados são curtos e diretos ou se trazem textos, casos práticos e situações-problema. Veja se as questões pedem a alternativa correta, a incorreta ou a análise de várias afirmativas.
3. Fonte das questões
Para disciplinas jurídicas, observe se as questões cobram a letra da lei, a jurisprudência dos tribunais superiores ou a doutrina. Para português, veja se predominam interpretação de texto, gramática ou ambos.
4. Distribuição por assunto
Monte uma tabela simples: em cada prova, quantas questões caíram de cada tópico do edital. Com algumas provas, você começa a enxergar quais tópicos aparecem com mais frequência para aquele tipo de cargo. Essa contagem é sua, feita com dados verificáveis, e vale mais do que qualquer opinião.
5. Pegadinhas recorrentes
Ao corrigir, anote o motivo de cada erro: troca de uma palavra, exceção à regra, prazo, competência. Padrões nos seus erros dizem muito sobre o que a banca explora e sobre o que você precisa revisar.
Leia também os recursos e as justificativas
Quando a banca divulga respostas a recursos ou justificativas de alteração de gabarito, esse material é valioso. Ele mostra como a banca interpreta a matéria e quais argumentos foram aceitos ou recusados. Ler essas respostas ajuda a perceber o raciocínio esperado e a evitar interpretações que a banca não costuma acolher. A publicação desse material varia conforme o concurso, então verifique o que está disponível na página do certame.
Como transformar a análise em plano de estudo
Com a análise em mãos, você pode:
- dar mais tempo aos tópicos que mais apareceram nas provas analisadas;
- treinar o formato de enunciado mais comum;
- criar flashcards a partir dos erros, com a resposta correta e a justificativa;
- montar um ciclo de estudos com pesos coerentes com o edital.
O artigo sobre questões de provas anteriores detalha como usar provas passadas de forma ativa, e não só para "medir nota".
Cuidados ao interpretar provas antigas
Mudanças na legislação
Uma questão de alguns anos atrás pode ter gabarito desatualizado se a lei mudou. Sempre confira a redação vigente no portal oficial da legislação antes de memorizar uma resposta.
Mudanças no edital
O conteúdo programático muda de um concurso para outro. Um tema muito cobrado no passado pode ter saído do edital atual, e outro pode ter entrado.
Amostra pequena
Se você analisou poucas provas, as conclusões são frágeis. Use a contagem como orientação, não como certeza, e não deixe de estudar tópicos que apareceram pouco.
Treine com tempo e em condições parecidas com a prova
Analisar provas é diferente de resolvê-las. Depois de estudar o conteúdo, reserve momentos para fazer provas completas da banca com o tempo previsto no edital. Isso mostra se o seu ritmo é suficiente, em quais disciplinas você gasta tempo demais e como o cansaço afeta o desempenho no fim da prova.
Durante esse treino, simule as condições reais na medida do possível: sem consultar material, sem pausas para o celular e com a folha de respostas preenchida ao final. Depois, corrija com o gabarito definitivo e volte à sua planilha para registrar os erros.
Não é preciso fazer provas completas toda semana. No início da preparação, questões soltas por assunto costumam render mais, porque permitem estudar e praticar em seguida. À medida que a prova se aproxima, os simulados completos ganham importância, já que treinam também a gestão do tempo e a resistência.
Um cuidado: o desempenho em um único simulado oscila por vários motivos. Observe a tendência ao longo de várias tentativas em vez de reagir a uma nota isolada.
A banca não substitui o conteúdo
Conhecer o estilo da FGV ajuda a treinar, mas não substitui dominar o conteúdo do edital. Quem entende bem a matéria e pratica com regularidade tende a se adaptar a diferentes estilos de questão. A repetição espaçada e a recuperação ativa ajudam a manter esse conteúdo disponível até o dia da prova.
Comparando com outras bancas
Se você presta concursos de várias bancas, vale aplicar o mesmo roteiro a cada uma. Veja também os guias sobre Cebraspe, FCC, Vunesp e Cesgranrio. Comparar suas próprias tabelas de análise ajuda a decidir quanto tempo dedicar ao treino específico de cada banca.
Como organizar a sua planilha de análise
Para que a análise não se perca, vale registrá-la em uma planilha simples. Uma estrutura possível tem uma linha por questão e colunas para: concurso e ano, cargo, disciplina, tópico do edital, tipo de enunciado, se você acertou ou errou e, em caso de erro, o motivo. Com o tempo, filtros simples mostram onde estão os seus erros e quais tópicos aparecem com mais frequência nas provas que você analisou.
Também é útil registrar a fonte de cada informação: o link da página do concurso no site da banca, o número da questão no caderno e a versão do gabarito consultada, preliminar ou definitiva. Isso permite voltar à fonte se surgir alguma dúvida e evita que você trabalhe com informações copiadas de segunda mão, que podem conter erros de transcrição.
Conclusão
A melhor forma de saber como a FGV cobra é estudar as provas que ela mesma publicou: leia o edital, baixe provas e gabaritos de concursos parecidos com o seu, analise com um roteiro fixo e transforme os erros em revisão. Para manter o conteúdo vivo até a prova, conheça os planos do MemorizeCards e veja os baralhos disponíveis no catálogo.
Perguntas frequentes
Onde encontro provas anteriores da FGV?
Na área de concursos do site da FGV, na página de cada certame, costumam ficar edital, cadernos de prova e gabaritos. A disponibilidade pode variar de um concurso para outro.
A FGV cobra sempre do mesmo jeito?
Não é seguro presumir isso. O estilo pode variar conforme órgão, cargo e área. Analise provas de concursos parecidos com o seu e leia o edital do certame específico.
Quantas alternativas têm as questões da FGV?
O formato é definido no edital de cada concurso. Confira sempre o edital do certame que você vai prestar antes de treinar.
Fontes e referências
- Fundação Getulio Vargas — área de concursos (editais, provas e gabaritos publicados em cada certame).
- Editais dos concursos organizados pela banca, disponíveis na página de cada certame.